Tintas

Sherwin-Williams pinta o futuro

Multinacional americana aposta na expansão de sua rede de lojas no Brasil para ampliar as vendas no mercado de tintas e revestimentos.

A Sherwin-Williams ocupa a liderança global na fabricação, distribuição e vendas de tintas e revestimentos. E o Brasil, quinto maior mercado mundial e líder na América Latina, recebe atenção especial da companhia americana. Os projetos envolvem principalmente a ampliação de lojas, que chamam de revendas master, que devem chegar a 160 até o fim de dezembro, aumento de 46% nos últimos 12 meses. “Nesse modelo de negócio a gente investe com o parceiro, que pode ser atuante no segmento de tintas ou pode ser investidor. Devemos abrir acima de 60 este ano, mais 50 em 2022 e assim por diante”, afirmou à DINHEIRO Freddy Carrillo, presidente da Sherwin-Williams Brasil. “Vemos potencial no País para mais de 500 revendas master.” A empresa não cita o investimento, mas segundo o apurado pela DINHEIRO varia entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por unidade.

Carrillo acredita que o ano vai fechar com crescimento de aproximandamente 5% no setor. A performance de alta teve início no segundo semestre de 2020, após o segmento da construção ser considerado atividade essencial durante a pandemia. Com o isolamento social, as pessoas ficaram mais em casa e aqueceram o mercado com reformas e pequenas obras. No ano passado, o volume comercializado pelas indústrias do País chegou a 1,623 bilhão de litros, elevação de 3,4% em relação ao 1,569 bilhão de 2019, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati).

Os dez principais fabricantes do País respondem por 75% do mercado. “O Brasil apresenta muitas oportunidades de crescimento”, afirmou Carrillo. “O consumo per capita de tinta decorativa é de cerca de sete a oito litros por ano. Na Europa são mais ou menos 26 e nos Estados Unidos, quase 20”, disse o executivo. Apesar da expectativa de bons negócios, ele destaca a forte concorrência no País, um mercado bastante complexo na comparação com os demais na América Latina. A longa extensão territorial, que encarece o frete e gera dificuldades logísticas, propicia a existência de muitos players regionais. “Mais de 700 empresas participam hoje do segmento de tintas.” Ele diz que há grandes multinacionais e algumas locais com abrangência nacional igual à da Sherwin-Williams. “Um mercado bem concorrido, porque tem muita fragmentação.” Além de atender o brasileiro, a companhia exporta “pequena parte” da produção para países da América do Sul, como a Argentina.

As incertezas macroeconômicas, que têm pressionado o câmbio, atrapalham mais que a concorrência. A Sherwin-Willians viu os custos subirem diante da desvalorização de mais de 40% do real frente ao dólar em um ano. Entre 60% a 70% das matérias-primas são atreladas à moeda americana, como as resinas. “Muitas delas estão no Brasil, mas acompanham o mercado global de indústria química. E fica difícil imaginar uma redução no custo, porque os impactos são globais”, disse ele. É o efeito colateral de estar numa indústria muito global atrelada ao preço do petróleo.

Globalmente, nos nove meses encerrados em setembro, o lucro líquido foi de US$ 1,56 bilhão, queda de 3,9% em relação aos US$ 1,623 bilhão do mesmo período de 2020.O preço do dólar, de insumos ou mesmo a alta da inflação não fazem parte da pauta pública do executivo. A companhia prefere “não entrar muito em detalhes de coisas externas aos nossos negócios”, disse. “Devemos focar nas coisas que temos controle, o que não é o caso de política, de moeda.”

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